Aqui na cidade de Pirajuí, interior de São Paulo, as coisas andam muito estranhas e estou começando a achar que não estou nada bem.
A cidade já é morta e poderia ser uma coisa até normal ver seres "não vivos" andando pelas ruas.
Certo dia acordei, enrolei um baseado e fumei na janela observando o fluxo dos mortos desta cidade do cacete. Eu via que todos tinham um jeito estranho de lidar com os aspectos materiais do nosso mundo, mas não sei porque, eu sabia que eles estavam mortos. Eles passavam por mim como se eu nem existisse. Extremamente MORTOS MESMO!!! A acomodação rotineira daquele povo, me indignava e eu nao sabia mas o que fazer para mudar a minha vida, pois por mais que eu mude, aquele mundo, aquela cidade, era exatamente a mesma. Enquanto a fumaça do beck entorpecia minha mente, eu analizava cada vez mais aquelas pessoas, que pra mim estavam mortas. Eles falavam apenas entre si e raramente eu conseguia conversar com um. Era uma merda!
Eu não largava o meu fumo, pois só eu sabia onde buscá-lo e ele era realmente uma porrada na orelha. O mais bizarro disso, é que esta maconha ficava em um lugar estranho, abandonada, e ninguém tomava conta daquele mato prensado, por isso eu não gastava um tustão com maryjuana. Na verdade, eu não gastava grana com nada, pois eu tinha uma casinha porka e miserável que devia ser de algum dos mortos, pois esses nem falavam comigo, nem mesmo pra me cobrar. As vezes eu gritava e ninguém me dava bola, alguns até olhavam, mas era só, uma paz que eu já não aguentava mais.
Lembro que tinham uns Hips que pediam a paz no mundo, mas eu tenho certeza de que se eles ficassem uma semana por aqui, iriam promover uma guerra mundial contra a paz, porque paz eh uma MERDA!
Me lembro de uma morta que me encantou, ela era linda e sua rotina diária era colher flores azuis. Isso mesmo! Por incrível que pareça, ela colhia flores azuis e mais nada! Os mortos só faziam uma coisa todo dia.
A rotina dela era a que eu mais me recordo. As 6 da manhã ela vinha, toda triste e figurinada por um vestido púrpura, solto e leve. Seus olhos emitiam uma tristeza tão grande, que chegava a fazer com que "eu" me sentisse culpado. Era incrível, ela fazia a mesma coisa todo dia, e tinha um certo dia do mês que ela cortava uma flor de modo errado e um homem chorava, chorava e chorava muitoo, como se ela tivesse magoado muito ele por ela ter cortado aquela flor de maneira incorreta. Ela parecia ter uma grande consideração e sentimento pelo tal homem que vivia na rotina ao lado dela e quando ele lacrimejava ela se sentia arrependida e chorava no outro dia inteiro. Era incrível. Eu já sabia até o dia dela errar. Era sempre na segunda sexta feira do mês. Ela errava, o cara chorava, e ela acabava chorando o sábado inteiro. Um verdadeiro caos. Ela não olhava pra mim. Um dia parei de frente com ela, e ela, desviou sem perceber que eu estava lá. Eu gritei e ela se virou assustada por alguns instantes, mas depois seguiu seu rumo normalmente.
PORRA! Normalmente? O que tem de normal nisso?
Eu tentava fugir da cidade mais era impossível pois eu era procurado e aquele talvez fosse o único lugar onde eu poderia me refugiar. O cara do bar nunca me via, então eu roubava os alimentos e ele, "num" tava nem ai. O do mercado, mesma coisa. Eu era um dos poucos vivos. As vezes, raramente trombava um doido e conversava, mas soh assuntos porcos, sobre cânhamo mesmo.
Eu "num guentava" mais, e em um momento de fúria resolvi buscar uma grande cota de maconha. Peguei meu cortador de gramas e fui. Chegando lá, olhei aquela montanha de fumo prensado. Peguei o cortador de grama e comecei a dexavar uma grande quantidade de fumo. Fiz uma fogueira de maconha perto de um tronco de árvore e me amarreri de uma forma que fosse difícil de me soltar, porém deixei uma certa folga para qualquer emergência de fogo na tal árvore.
Eu tragava a fumaça da fogueira violentamente, queria mesmo era morrer de overdose de maconha. As brasas do fumo jogavam uma fumaça chapante em todo meu corpo e principalmente em meu rosto que suava com o calor do fogo. A pele da minha face começou a adormecer de tamanha loucura e então resolvi me desamarrar. Sai da árvore e logo cai no chão. Foi rápido, me levantei e olhei para a montanha de maconha. Quando vi algo extremamente estranho.
Um homem saiu do monte de pakal com os olhos acesos e vermelhos me dizendo que eu era um idiota, burro, estúpido e retardado. Então, logo retruquei dizendo q ele era um filho da puta porq saiu do meu monte de fumo e destruiu grande parte da ganja. Então ele me disse:
---O idiota, vc está fumando muita maconha sabia?
Então eu disse: quem é vc pra dizer isso, vc eh a mais pura maconha humana o velho porko!
---Sou o capeta e vim esclarecer algo que vc precisa saber seu BURRO! Vc está morto! As pessoas na cidade não estam mortas como vc pensa. Vc está morto! Vc! Fumou tanta maconha que se esqueceu que tinha morrido, isso acontece com alguns. Porque vc acha que as únicas pessoas que conversavam vc eram maconheiras SEM VERGONHA! Simplesmente porq estavam na mesma situação que vc seu retardado! Pasmando na Terra como idiotas. Agora vamos, vamos que eu vim te buscar para o inferno seu criminoso inútil.
Após ouvir tudo aquilo, fiquei pasmo e alucinado, milhões de coisas passaram por minha cabeça e eu naquela alucinação absurda de maconha perguntei aos berros:
Porra, porq as pessoas tinham uma rotina tao assidua? Por que elas eram tristes? Por que aquela linda mulher sofria tanto, se culpava tanto? Por que?
Então o diabo falou com um "ar" de desprezo!
---Esse é o mundo dos vivos rotineiros e tristes, sempre a mesma coisa. Aquela mulher por quem vc se apaixonou, vive a tristeza de se arrepender, simplesmente porq ela quer, ela se sente bem daquele jeito. Eh o jeito triste dela ser feliz. Quanto aos outros, todos tem suas rotinas e suas partes tristes, pois pra nohs mortos não existe nenhuma felicidade neles, apenas mesmisses e idiotisses. E eles são felizes assim, vamos fazer o que né.
Mas vamos ao inferno pois lá temos as coisas mais prazerosas do mundo mas temos tb as mais dolorosas. No mundo de Deus as coisas não são tão fortes, nada eh tão doloroso, mas nada tb eh tao prazeroso é um mundo indiferente. O inferno é a faca de dois gumes mais afida de todas, agora cala essa boca e vamo embora seu maconhero burro e esquecido!
Nenhum comentário:
Postar um comentário